“Astroselfie”: a construção de uma imagem - marmore

Eu não sou muito fã de selfies. Tenho muito mais disposição para ficar do lado de cá da câmera. Esse post é sobre uma sessão que começou com um objetivo totalmente diferente e acabou... bom, vamos ver como acabou.

Ontem faltou energia lá em casa. Boa parte do Jardim Botânico em Brasília ficou escura, o que significou: nada de luz, TV, internet... e uma oportunidade interessante para fotografar o céu! Eu sou apaixonado por estrelas e volta e meia gosto de sentar no quintal, abrir um vinho e procuras as constelações e chuvas de meteoros. Isso é o que eu fui fazer e esse post é sobre a evolução desse plano até chegar lá na foto final.

É bem difícil ver o céu estrelado na cidade, já que a poluição visual é muito intensa. Em ambientes com pouca luz fica mais fácil, mas ainda assim não é ideal, porque não é só a luz dos prédios que atrapalha, mas a própria poluição, que tende a ser maior nos centros urbanos. Isso sem falar na altitude, fase da lua, cobertura de nuvens etc.

Mas foi um dia relativamente bom para ver as estrelas, quase todos esses fatores estavam colaborando e eu decidi tentar fazer algumas imagens. Não saiu nada espetacular, até porque eu não tinha muita flexibilidade na composição (como dá pra ver no reflexo na parede, havia luz em um bairro próximo), mas já era possível enxergar e fotografar muito mais estrelas do que o usual, não é?

Essa primeira composição, com a parede iluminada, me fez pensar que um elemento humano poderia enriquecer a imagem e lá fui eu “posar de modelo”. Após algumas tentativas, saiu a imagem acima.

Gostei mais do que a primeira, mas achei que ficaria melhor se eu tivesse me posicionado mais próximo à parede esquerda. Mais algumas tentativas...

Legal, saiu o rastro de um avião! Mas concluí que esse rastro não acrescentaria muito à composição final, então as outras fotos seriam sem ele. Além disso, o sujeito estava um pouco apagado e recuperá-lo no pós processamento seria trabalhoso, além de não ter o mesmo efeito de uma iluminação natural.

Lá vou eu pegar o celular...

Melhorou? Achei que sim, mas vi três problemas:

(1). a luz do celular fica muito intensa numa exposição de 13 segundos;

(2). Ela vaza demais (perceba a parede da casa, à direita, toda iluminada);

(3). A cor do led não combina com o reflexo na parede, por ser uma luz branca. A luz na parede é mais amarelada.  Ok, lá vou eu tentar com o flash então...

Bem mais direcional! Dá pra ver que o foco está na minha frente, sem a luz espalhar para a outra parede. E além disso eu consigo controlar a intensidade, legal! Mas o problema da cor continua o mesmo. E surgiu outro problema: um cachorro entediado que insiste em sair na foto (repare no canto inferior direito o Luk olhando e pensando: "o que esse doido tá fazendo?).

A solução pro primeiro problema foi acrescentar um filtro corretivo, que deixa a luz do flash com uma cor compatível com a do reflexo na parede. A solução pro segundo problema?

Xô! (Strike 1)

Passa! (Strike 2)

Vaza! (Strike 3!)

Vááários "strikes" depois (bem mais que 3!), o Luk foi caçar o que fazer e eu consegui fazer a imagem. Crop, correção de cor, destaque do céu e voilá, meu “Astroselfie” pronto!

Da primeira até a última exposição foram exatos 40 minutos e 40 fotos (sim, demorou para voltar a energia!).

Câmera: Nikon D800 em tripé com timer de 10s.

Lente: Nikon 14-24mm - 16mm - F5 - 13s - ISO2500