Que câmera eu compro? - Parte 1 - marmore
02/10/2013

Essa é a pergunta que mais ouço quando o assunto é fotografia. A conversa geralmente começa assim:

- Marcos, estou pensando em comprar uma câmera. O que você sugere?
- Depende.
(a pessoa já menos paciente, porque esperava uma resposta mais direta) - Depende do que?
- Pra que você quer a câmera?
(leve cara de incredulidade) - Pra tirar fotos boas!
- Tá, mas o que você mais pretende/gosta de fotografar?
(procurando uma pedra pra jogar em mim) - Ah... sei lá! De tudo um pouco!
- Mas isso é muito genérico...

Se depois dessa interação inicial eu ainda não tiver apanhado, a conversa costuma tomar vários rumos, mas segue nessa linha básica: a câmera que você vai comprar depende completamente das suas preferências, deve ser adequada ao seu estilo, e não o contrário

Defendo que a frequência com que você vai fotografar, o prazer que você vai ter fazendo isso e os resultados serão diretamente proporcionais a uma escolha adequada, com a ressalva de que este NÃO é o fator mais importante para garantir "fotos melhores"; é clichê, mas dedicação, conhecimento, técnica, paciência e prática são sem dúvida mais importantes. A câmera deve ser substituída quando ela for um fator limitante para a sua fotografia, e não como se fosse O instrumento que fará a diferença entre fotos medianas e CartierBressonianas.
Sony RX100, Nexus 4 e Nikon D800

Sony RX100, Nexus 4 e Nikon D800

Além disso, o preço do equipamento também é um referencial ruim para se definir o que comprar. Mais uma vez, a pergunta não deve ser “qual é a melhor câmera que eu posso comprar com x reais”, e sim: “considerando que eu tenho um limite de x reais para gastar, qual é a melhor câmera/sistema que pode atender às minhas necessidades?”. Acredite, a segunda pergunta pode economizar muito dinheiro e frustrações.

Dito isso, podemos voltar ao tópico e ao "depende". A questão não é se você deve comprar uma DSLR ou uma compacta, mas o que você faria com uma DSLR que você não faz com uma compacta? Em que os seus gostos e preferências serão melhor - ou pior - atendidos com uma mirrorless em relação ao seu celular ou a uma médio formato? Esse é o ponto principal, e que eu vou tentar responder nessa série de postagens.

Nesse primeiro post vou falar, em linhas gerais, dos tipos de câmeras existentes; depois vou discutir motivos práticos para se optar por uma ou outra categoria; na terceira postagem, vamos explorar as principais marcas e modelos de cada categoria; e na última, vou falar um pouco sobre o que eu utilizo, por que escolhi o que escolhi, baseado nas minhas preferências e necessidades.

Inicialmente, vou dividir os tipos de câmeras em duas grandes categorias gerais: com sistema ótico fixo e com sistema ótico intercambiável. Opto por fazer essa divisão porque considero adequada para o assunto, mas é apenas uma de outras muitas possíveis. Poderíamos categorizar, por exemplo, pelo tamanho do sensor, peso da câmera, marca etc.
Sony RX100, Nikon D800 e meu espetacular Beyer D770 :)

Sony RX100, Nikon D800 e meu espetacular Beyer D770 :)

Sistema ótico fixo (sem opção de troca de lentes)

Telefones celulares
Esta é a categoria de entrada, com as câmeras que temos nos nossos celulares. Atualmente temos aparelhos relativamente competentes e com resolução adequada, girando entre 5 e 12 megapixels (e com uma exceção da Nokia, com 41mp!). Os controles são limitados e você fica restrito a um estilo mais “point and shoot”, ou seja, só mirar e clicar. 

Os sensores são bem pequenos, ainda menores do que nas compactas tradicionais, o que limita também a qualidade de imagem. Por outro lado, é nessa categoria que temos visto mais inovações (que eventualmente migram para categorias superiores), como gps, wi-fi, reconhecimento de face, panoramas etc. Por usar o processamento do telefone, oferece aplicativos para edição das fotos, além de possibilitar o compartilhamento em tempo real. E finalmente, é a opção mais prática para carregar pra todo lado.

Câmeras compactas
Aqui começa a categoria de câmeras dedicadas. É difícil diferenciar entre modelos porque essa é uma categoria de iteração constante e que virou quase uma commodity, com pouquíssima variação entre as diferentes empresas. Os sensores são muito parecidos, as distâncias focais, até a aparência é semelhante. Só nesse ano, já foram lançadas 93 (!!!) câmeras compactas, segundo base de dados do site www.dpreview.com.

Para resumir, eu estou colocando “no mesmo saco” todas as compactas básicas, mas é verdade que existem variações: há as super compactas, leves e finas; há as super wide e superzoom… mas no final das contas, os sensores são semelhantes e a qualidade de imagem também.

As maiores vantagens são o preço baixo e o tamanho compacto. A qualidade de imagem, por outro lado, não se destaca, as câmeras são menos responsivas e há poucos controles externos.

Compactas Premium
Eu gosto de separar essa categoria das “compactas básicas” porque identifico que há um salto de qualidade grande nessa categoria. Em linhas gerais, as principais diferenças são:
- sensores maiores;
- lentes mais abertas/rápidas;
- maior controle de funções e controle externo: mais botões dedicados, o que evita idas constantes ao menu;
- melhor qualidade de construção;
- melhor qualidade de imagem.

Ou seja, dá pra perceber que elas trazem vários benefícios. As maiores desvantagens em relação às outras compactas são o tamanho - costumam ser um pouco maiores se comparadas às menores câmeras da categoria anterior -, a maior complexidade e principalmente o preço. 

Gosto bastante desse tipo de câmera e do seu custo x benefício. Não por acaso, a maior parte das câmeras que recomendo pertence a essa categoria.
Sistema ótico intercambiável (com opção de troca de lentes)

A partir daqui, há um salto de qualidade, complexidade e tamanho razoáveis. É importante considerar isso na hora da escolha para evitar decepções. Já vi vários casos de pessoas que optam por equipamentos caros e complexos sem saber muito bem por que. O resultado geralmente é frustração e câmeras que ficam acumulando poeira no armário.

“Mirrorless”
A diferenciação entre as duas mirrorless e DSLR’s é cada vez mais difícil. Quando foram lançadas em 2009, as mirrorless, ou câmeras sem o espelho e pentaprisma, eram na minha visão as “primas pobres” das DSLR, já que o gap entre ambas era considerável. Por um lado, elas ofereciam uma vantagem interessante em peso e tamanho, constituindo uma alternativa com qualidade bem superior às compactas, mas sem encostar nas DSLR. Como maiores desvantagens, tinham um sistema de autofoco inferior a essas, um sensor menor (pois no início apenas Olympus e Panasonic, adeptas do sistema 4/3, haviam lançado produtos), sistemas menos completos e qualidade de imagem claramente inferior.

Hoje em dia, a situação é bem diferente. Já temos opções com sensores maiores e melhores - e brevemente teremos uma mirrorless full frame, o único tamanho de sensor que ainda é exclusividade das DSLR -, autofoco equivalente e sistemas bem mais completos, incluindo flashes, controles remotos etc. A diferença de tamanho continua considerável e a qualidade de imagem é equivalente à maior parte das DSLR. 

Por outro lado, são mais caras se comparadas a opções equivalentes, o que podemos chamar de “custo comodidade”. E se os sistemas melhoraram bastante, ainda não se equivalem aos das maiores marcas presentes entre as DSLR.
DSLR - Digital Single Lens Reflex

Esse nome complexo que parece um palavrão nada mais é do que uma referência à existência do espelho, que direciona os raios de luz para o sistema de foco e para o pentaprisma, que por sua vez reflete a imagem que chega ao visor ótico (na imagem ao lado).

Ou seja, na teoria a existência desse espelho é a única diferença entre uma DSLR e uma mirrorless (do latim, sem espelho! :p) e a tendência é que qualquer diferença qualitativa desapareça com o tempo. O Thom Hogan inclusive avalia que, no futuro, não existirão mais DSLR e todas as companhias abolirão o espelho e o pentaprisma.

Independente disso, atualmente ainda temos algumas diferenças relevantes. Apesar dos progressos, o sistema de autofoco das DSLR continua mais robusto (no caso das câmeras profissionais desse segmento a diferença é enorme, especialmente no caso de foco contínuo); a quantidade de lentes, flashes e outros acessórios ainda é bem maior entre essas câmeras; há maior variedade de opções, especialmente nas categorias superiores; e apenas as DSLR (e uma exceção entre as compactas) tem o maior sensor existente, o full frame, equivalente ao tamanho dos negativos tradicionais de 35mm (aqui não estou considerando as câmeras de médio e grande formato por serem um nicho muito específico, com um preço muuuuuuito específico também!). 

Repito o que falei acima: a diferença entre essas categorias tem diminuído consideravelmente e tende a acabar. A Sony lançará ainda nesse ano uma mirrorless com sensor full frame, por exemplo. E ainda que o sistema da Sony não seja tão completo quanto Canon e Nikon, ela tem feito investimentos consideráveis para diminuir essa diferença.


Em resumo, essas são as principais categorias de câmeras que você pode escolher. No próximo post, vamos falar sobre motivos para se optar - ou não - por um ou outro tipo de câmera.

Até lá!