Que câmera eu compro? - Parte 2 - marmore
08/10/2013

No primeiro post, falei em linhas gerais sobre as categorias de câmeras existentes. Hoje vou detalhar um pouco mais o assunto ao destacar vantagens e desvantagens de cada uma, numa tentativa de ajudar na escolha de um ou outro tipo de câmera.

Primeiramente, precisamos definir prioridades. Cada um tem a sua e só podemos tomar uma decisão mais adequada se a conhecermos. Nenhuma câmera consegue atender a todos os nossos gostos e interesses. Uma opção possível é comprar uma câmera de cada categoria! :-) Outra, menos insana, é escolher aquela que, mesmo não sendo perfeita, vai te atender melhor.

O que é “melhor”?
Aqui já temos uma variável importante. Como definir o que é “melhor” para cada um de nós? Longe de mim tentar definir isso por você, mas vamos problematizar um pouco: é “melhor” ter (a) uma câmera com uma qualidade de imagem impecável, mas que pese 3kg, ou ter (b) uma câmera com imagem ruim, mas que você carrega para todo lado, compartilha imagens facilmente, consegue mexer de forma intuitiva etc?

Se você respondeu “a” ou “b”, ótimo! Já sabe o que é melhor para você. Entretanto, a maioria das pessoas vai preferir um meio termo entre ambas as opções. Grosso modo, teremos de um lado a qualidade extrema, do outro a comodidade extrema, e no meio o nosso “sweet spot”.
Qualidade x comodidade – pra que lado pesa a nossa balança?
Claro que essa é uma generalização: o extremo da qualidade não é completamente incômodo, como o extremo da comodidade não abre mão de qualquer nível de qualidade. Mas ao compararmos as categorias, há uma escala gradual oposta entre ambas as características.

Minha listagem no primeiro post acompanha essa tendência da maior comodidade para a maior qualidade: Celulares / Compactas / Compactas premium / Mirrorless / DSLR.

Acho curioso que a maior parte das pessoas que me pedem recomendação de câmeras costumam focar apenas no quesito “qualidade”. Talvez por isso eu faça tantas perguntas antes de recomendar algo, já que não dá pra escolher olhando só esse aspecto. Vamos a alguns exemplos, baseados no que eu costumo ouvir:

Uma foto por dia (pelo menos!)
Tem gente que quer andar com a câmera todo dia, pra todo lado, registrando desde o lanche no fast food até o pôr-do-sol espetacular. Ou seja, você quer uma câmera pequena e leve, que caiba no bolso ou na bolsa, preferencialmente com conexão wifi, gps etc. A sua câmera dos sonhos definitivamente não é uma DSLR! Elas são pesadas, precisam de uma bolsa extra, lentes extras, bateria extra...

Masssss.... a sua câmera dos sonhos pode ser uma mirrorless. Você deve preferir uma das quatro primeiras categorias. Vou tentar ser mais específico:
- Se você faz questão de fazer a foto, realizar edições rápidas e compartilhar imediatamente, provavelmente vai preferir continuar com o celular (eu assumo que pelo menos o seu celular tenha câmera! Por favor, estamos em 2013!);
- Se você já tem o celular para isso e ainda quer uma opção melhor, porém leve e pequena, as compactas premium vão te atender bem;
- Se você quer a câmera adicional para registrar cenas mais distantes – ou seja, precisa de um zoom considerável -, sua opção é uma compacta básica com zoom acima de 10x. As compactas premium não costumam ter distâncias focais muito generosas, exatamente porque quanto maior é o alcance de zoom, menor costuma ser a qualidade de imagem;
- Se você não faz questão de um zoom generoso e topa trocar isso por uma maior qualidade de imagem em um pacote também um pouco maior, as mirrorless podem ser a melhor opção, especialmente com uma lente fixa de boa qualidade.
Fotos de eventos
Essa é a situação em que você não faz questão de carregar a câmera pra todo lado, mas sempre quer estar com ela quando vai acontecer um aniversário, casamento, formatura... novamente não recomendo as DSLR para isso, especialmente porque o nível de complexidade, o peso e o tamanho não compensam, ao meu ver, para o uso que se vai fazer.

- Além do celular, as compactas premium e as mirrorless são opções válidas; as primeiras se você quiser menor peso e tamanho, as últimas se essa não for uma prioridade e você preferir maior flexibilidade (de distâncias focais diferentes, de controle de profundidade de campo etc). As compactas básicas eu só acharia interessantes caso você estivesse com o orçamento apertado, visto que distâncias focais longas provavelmente não serão prioridade aqui. Ainda assim, minha recomendação nesse caso seria: “espere um pouco, economize e compre uma compacta premium”.
Fotos de família
Parece muito semelhante à categoria anterior, mas não é. Aqui estou falando de pessoas que querem registrar seus filhos, esposos, pais, etc, de uma forma diferenciada, com uma imagem mais artística. Vejo essa tendência especialmente em casais com filhos pequenos. 

Nessa situação, as mirrorless ou DSLR’s seriam as opções mais adequadas, especialmente pelo maior controle de profundidade de campo e autofoco mais rápido. A primeira característica possibilita imagens mais singelas, suaves e esteticamente mais agradáves; isso pode ser conseguido com qualquer câmera nessas categorias e uma lente médio-tele com maior abertura. A segunda - autofoco mais eficaz - é essencial para fotografar crianças pequenas e animais de estimação, nem tanto para outros assuntos. Nesses dois casos específicos, eu ainda restringiria a recomendação para uma DSLR com foco contínuo bem competente, o que geraria os melhores resultados e evitaria muitas frustrações.

Caso tamanho e praticidade sejam indispensáveis, poderíamos optar pelas compactas premium também, mas com as ressalvas de autofoco e controle de profundidade de campo mais limitados.
Fotos de viagem
Outras pessoas querem uma câmera diferente para fazer boas fotos nas viagens. É aquela situação em que você sabe que a câmera vai ficar a maior parte do tempo parada, até porque ela só vai ser usada umas poucas vezes no ano. Mais uma vez, a escolha vai depender das prioridades, que eu considero serem um pouco mais flexíveis nessa situação:

- Se você quer uma opção pra carregar pra todo lado, poderia optar entre as compactas básicas (caso quisesse a possibilidade de um “zoom” maior, acima de 4-6x) ou as compactas premium. Não recomendaria as mirrorless nesse caso porque as combinações câmera-lente interessantes para se levar para uma viagem não seriam tão compactas assim;

- Se você quer uma qualidade superior, tanto mirrorless como DSLR com uma ou algumas boas lentes seriam opções interessantes, sendo que as primeiras teriam a vantagem do tamanho mais compacto e menor peso.
Fotografo, logo existo
Essa situação é mais restrita. Aqui estou falando de pessoas para quem a fotografia não é um “anexo”, mas muitas vezes o tópico principal. São pessoas que saem para fotografar, ou para quem a fotografia na viagem é um elemento quase tão – ou mais - importante quanto passeios ou visitas, por exemplo. Esse é o primeiro grupo para o qual eu recomendo uma configuração com mais de uma câmera. É desejável, mas não necessário. Vamos a algumas opções:

- Em uma situação de orçamento apertado, eu recomendaria uma compacta premium, que vai combinar bem preço, comodidade e qualidade;

- Acima disso, partiríamos para uma mirrorless ou DSLR com um conjunto básico de 3 a 4 lentes, dependendo das preferências individuais. Eu optaria pela mirrorless caso quisesse manter uma certa portabilidade e não fizesse questão de um sensor full frame, e ficaria com a DSLR caso tivesse preferência por uma marca específica ou quisesse uma câmera bem perto do “topo”: com autofoco, sistema de medição e gama de acessórios profissionais.

- E a situação ideal seria uma combinação de câmeras das últimas três categorias: compacta premium + mirrorless/DSLR ou mirrorless + DSLR.

A maioria das pessoas que pedem minha opinião perguntam por algo “parecido com o que eu uso”, que é a última opção da última categoria. Ou seja, a não ser que você tenha interesses muito parecidos com os meus, comprar algo semelhante será não apenas um desperdício de dinheiro, mas – o que eu considero ainda pior – uma opção não otimizada para os seus usos. E por “opção não otimizada”, entenda-se “câmera na gaveta”.
A melhor câmera é a que você usa
Tudo isso reforça o que eu disse desde o início e culmina com essa máxima. Não podemos tratar “melhor” ou “pior” em termos absolutos, mas a partir das nossas habilidades e necessidades. Uma excelente câmera que não é usada por ser muito grande ou muito complexa é uma péssima aquisição, da mesma forma que um equipamento comprado por estar “em uma ótima promoção”, mas que se mostre muito simples ou com qualidade de imagem insuficiente para as suas exigências.

A melhor câmera é a que agrega qualidade e comodidade na medida certa para você. E essa medida só você conhece.