Que câmera eu compro? - Parte 3 - marmore
11/10/2013 (atualizado em 23/10)

A parte 1 mostrou as principais categorias de câmeras. Na parte 2 procurei exemplificar tipos de usos para cada categoria, a partir de um elenco de necessidades. Nesse artigo, vou destacar os modelos que, na minha opinião, se destacam em cada categoria.

Compactas
Como falei no primeiro artigo, essas câmeras se tornaram quase uma commodity e é exatamente por causa disso que eu acho difícil recomendar uma em relação às outras. Há muitos anos não tenho uma compacta (minha última foi uma Canon SD870 que comprei em 2007 e usava para mergulhar, até que um amigo decidiu perdê-la no meio de um mergulho! Tinha que ser são paulino, rsrs!). Desde então, já tive câmeras de todas as outras categorias, menos essa.

Então, como ajudar alguém que queira uma compacta? Minha sugestão seria escolher alguma que tivesse uma característica que se destacasse na multidão. Pensando nisso, destaco alguns pontos que considero interessantes:
- Zoom intermediário a longo, para poder capturar assuntos mais distantes;
- Lente grande angular que comece em 24mm ou 28mm (importante!), para conseguir fotografar assuntos mais amplos de perto ou com uma perspectiva diferente;
- Tela de lcd de alta resolução, para visualizar melhor a cena;
- Conexão wifi e gps, se possível, para facilitar a localização das imagens e o compartilhamento.

Baseado nesses critérios, fui ao DPReview para “garimpar” opções; essas foram as que achei (escolhi apenas câmeras que foram lançadas há no máximo 1 ano):
Destaco que não tenho experiência com nenhuma dessas câmeras e por isso não posso julgar características como velocidade de operação e autofoco, ergonomia, entre outros. Mas imagino que nenhuma delas fique muito atrás de qualquer outra opção nessa categoria, e pelo menos sabemos que elas têm algumas características interessantes. Se fosse escolher para mim, certamente optaria por uma dessas, a não ser que meu primeiro critério fosse preço abaixo de 200 dólares ou tamanho hiper compacto.

Todas essas câmeras tem uma sensibilidade máxima até ISO3200, mas realisticamente não devem ser usadas acima de ISO800 ou ISO1600 para melhores resultados.

Coincidentemente, depois que eu já tinha escrito toda essa parte acima, o site DPReview.com publicou um guia de compras de câmeras compactas (acho que eles sabiam desse post e ficaram com medo da concorrência! :p ). Pra se ter uma ideia da quantidade de opções, eles subdividiram a categoria de compactas em 5 - ultra compactas, câmera de viagem, resistentes, super zoom e entusiastas (que é o que eu chamo de “compacta premium”).

Eles não recomendaram modelos específicos, mas se vocês compararem as categorias que o DPReview fez e minhas recomendações, vão ver que, entre as compactas, todas as que eu recomendo estão na categoria que eles chamam de “travel zoom”, ou câmeras de viagem. Isso tem uma explicação: 
- as super compactas, na minha avaliação, podem ser substituídas pelo celular;
- as ultra zoom são muito grandes e abrem mão de aspectos importantes de performance, como velocidade de autofoco, e acho que alguém que as queira seria melhor servido por uma mirrorless ou DSLR; 
- as resistentes são um nicho muito específico e também abrem mão de alguma versatilidade. Ou seja, se você precisa de uma câmera que seja resistente a choque e água (até uma baixa profundidade), realmente pode optar por uma rugged. Fora isso, mantenho minhas recomendações pelas câmeras de viagem.

Um último comentário: essas câmeras rugged não servem para mergulho, elas não aguentam a pressão da água. Para isso, é melhor você comprar uma caixa estanque como a do link (cada modelo tem uma caixa própria; essa é a da Sony RX100).

Compactas Premium
Nessa categoria temos vários modelos interessantes e para todos os gostos. Quer uma opção muito compacta? A Canon tem a S120, a Panasonic oferece a LF1. Uma lente mais competente e mais controles externos? Há algumas opções: Canon G16, Nikon P7800, Fuji X20, Pentax MX1 e Olympus XZ2. Finalmente, para quem quer um sensor maior, as alternativas são Sony RX100 e Fuji X100S. Ou, se você quiser apelar e tiver bala na agulha, a Sony RX1 reina sozinha no topo das compactas, tanto na qualidade como no preço. Dessas últimas opções, a única que tem distância focal variável é a RX100 (que por acaso é a que eu uso). 
Algumas observações:
- Todas as câmeras dessa categoria oferecem modo RAW, que possibilita maior flexibilidade na edição da imagem e melhor qualidade;
- Reparem que não existem opções com distância focal maior que 200mm, ou “zoom” de +- 7x. Para obter uma qualidade melhor e lentes mais abertas, as distâncias focais precisam ser mais modestas;
- A sensibilidade de ISO dessas câmeras é consideravelmente maior que nas compactas normais. Todas têm um alcance que varia entre 6400 e 25600. Na prática, devem apresentar bons resultados até ISO3200, com exceção das câmeras com sensores maiores (Sony RX100 e RX1, Fuji X100S), que podem ser usadas até ISO12800 e possivelmente, 25600 (em outro artigo, vou explicar melhor o que essa sopa de letrinhas significa e porque ISOs maiores são muito úteis em determinadas situações).

Comparação de tamanhos de sensores
Mirrorless
Considerando que essa é uma categoria relativamente nova, lançada em 2009 com a Olympus EP1, a quantidade e qualidade das opções surpreende. É a categoria “quente” do momento, com os maiores lançamentos e várias marcas tentando se destacar.
Diferentemente das câmeras compactas, aqui temos algumas opções de destaque:

- Micro Four Thirds (m4/3): Olympus e Panasonic. Usam o mesmo encaixe e oferecem a maior gama de lentes. Outras marcas, como Sigma, Tokina, Voigtlander e Rokinon também produzem lentes que podem ser usadas nessas câmeras. Atualmente é o sistema mais completo, mas tem um sensor um pouco menor do que as que usam sensoresAPS-C;
- Sony (APS-C): Tem câmeras muito boas e as opções de lentes estão melhorando; no passado havia muito poucas lentes para se escolher, mas atualmente já existem mais de 40 opções, inclusive as excelentes Zeiss;
- Fuji (APS-C): Outra companhia que tem se destacado. Não tem tantas opções de lentes e corpos, mas todas as opções, sem exceção, são muito boas (a Zeiss também produz para o encaixe da Fuji). Tem a melhor qualidade de imagem nessa categoria, mas o autofoco ainda está um pouco atrás dos outros;
- Samsung (APS-C): Outra marca com câmeras e lentes boas, mas ultimamente não tem inovado muito, basicamente tem lançado produtos muito parecidos nos últimos anos, além de não ter o mesmo apoio de outras marcas na fabricação de lentes (Zeiss e Sigma, por exemplo, não produzem lentes compatíveis). Gosto deles, já tive duas câmeras mirrorless da Samsung. Uma morreu afogada e a outra foi furtada, ou seja, não tive muita sorte com eles;
- Nikon (1”): Tem um dos menores sensores da categoria, o que faz uma diferença considerável. Particularmente, não consigo ver muito motivo para comprar uma mirrorless da Nikon ao invés de uma de outra marca ou uma compacta premium. Por outro lado, tem o melhor autofoco da categoria e compatibilidade com as lentes para DSLR da Nikon (que ficam completamente desproporcionais, but still);
- Canon e Pentax: sinceramente, não compraria nenhuma delas no momento atual. A Canon tem apenas a pífia Canon M, que tem uma boa qualidade de imagem, mas pouquíssimas lentes e um autofoco sofrível; a Pentax, que eu adoro como marca, compete com a Pentax Q, e consegue ter um sensor ainda menor do que a Nikon! 
- Leica: ok, tecnicamente, a Leica tem a melhor qualidade de imagem da categoria, com a Leica M. Mas é um produto de nicho. A câmera custa 6 mil dólares; as lentes, entre 2 e 6 mil… quer que eu continue falando dela? :-)
Apesar de todas as marcas terem suas virtudes, vou ser bem direto e recomendar apenas as 5 primeiras: Olympus, Panasonic, Fujifilm, Sony e Samsung. É importante lembrar que são câmeras com lentes intercambiáveis, mas sem a opção de trocas entre sistemas. Ou seja, você não pode ter uma Sony e usar uma lente Olympus (até pode, mas só com um adaptador que limita as funções), ou ter uma Fuji e usar lentes da Samsung etc.

Considerando a maturidade do sistema, acho que as Micro 4/3 - Olympus e Panasonic - são as melhores opções atualmente. Eu compraria a Olympus EP5, EM5 ou Panasonic GX7 se quisesse uma opção até 1.000 dólares, e a Olympus EM1 caso quisesse a melhor câmera possível. Se o orçamento estiver mais apertado, a Olympus EPL5 ou Panasonic GF6 são boas opções de entrada, na faixa de 500 dólares.

Com o foco na melhor qualidade de imagem, não teria problema em continuar com as opções acima, mas também olharia com muita atenção para as Fuji XE1 ou XM1 (a Fuji XPro1, apesar de ser a mais cara, é a mais antiga do grupo e que deve ser substituída primeiro).

Como falei, não dá pra errar com câmera nenhuma dessa categoria, pois todas são muito competentes. Mas se fosse o meu dinheiro, no cenário atual eu optaria por uma dessas. A Sony também é uma boa opção no meio do caminho. Não tem um sistema tão completo como a Olympus e Panasonic, mas é melhor que a Fuji nesse quesito. A qualidade de imagem perde para a Fuji, mas é bem equivalente à Olympus, com a vantagem de ter um sensor maior. 

Já a Samsung tem várias lentes fixas compactas, competentes e relativamente baratas, mas não tem mostrado muita força como sistema, com poucos acessórios e sem uma direção muito clara (a não ser pra quem ache que câmeras com OS da Android sejam uma boa opção…). Não ter muito apoio de outros fabricantes de lentes é um pouco preocupante, no longo prazo. 

Adendo: ontem (16/10) a Sony lançou as primeiras mirrorless full frame do mercado: A7 (1.700 dólares) e A7R (2.300 dólares). Com 24 e 36 megapixels, respectivamente, são câmeras que trarão um outro patamar de qualidade para a categoria. Mas elas estarão à venda apenas em dezembro, praticamente sem nenhuma opção de lentes. Pelo menos até meados de 2014, não acho que serão opções interessantes, ainda preferiria as Fuji em termos de custo x qualidade. Em 1 ou 2 anos, com mais opções de lentes e provavelmente câmeras a preços mais acessíveis, esse cenário pode mudar.

(atualizado em 23/10)
DSLR - Digital Single Lens Reflex
Por fim, se você não encontrou nenhuma câmera até agora que te atenda, as DSLR são sua última alternativa, portanto preste atenção! :-)
Essa é a categoria mais complexa de todas. Temos câmeras desde 500 dólares (ou menos, se você comprar em promoção), até mais de 6 mil dólares (estou falando só do corpo da câmera, sem nenhuma lente incluída); câmeras que pesam desde 500g até 1,5kg; opções de 16 até 36 megapixels. Ou seja, há uma boa variedade. Mas note que temos menos empresas oferecendo produtos: são basicamente Canon, Nikon (que juntas dominam mais de 80% do mercado), Sony e Pentax.

As DSLR são mais maduras em relação às mirrorless, e por isso têm lançamentos menos constantes e desenhos mais estabelecidos. Repare nas fotos das câmeras e você vai ver uma tendência semelhante, até pela necessidade do pentaprisma acima do encaixe da lente. Se você comparar com as outras categorias, verá que naquelas os desenhos das câmeras são muito mais distintos entre si. 

Como já falei, as principais vantagens estão na qualidade de imagem e performance. É verdade que as DSLR de entrada estão quase sendo alcançadas pelas mirrorless mais competentes, mas as câmeras acima de 1.000 dólares ainda se destacam. Curiosamente, o custo x benefício das DSLR é melhor nas faixas de preço que elas compartilham: uma DSLR de 500 dólares muito provavelmente terá performance melhor que uma mirrorless do mesmo preço, idem para a faixa de 1.000 dólares. Lembram do “custo comodidade” que as mirrorless cobram? Aqui você vê a conta! Na mesma faixa de preço, você deve escolher entre performance (DSLR) e tamanho (Mirrorless). E aí voltamos lá pro primeiro post: você precisa decidir o que é mais importante a partir dos seus interesses.

Voltando às recomendações, dividi a categoria pelo tamanho dos sensores. Como essa é a parte mais cara de uma câmera, é natural que todas as APS-C sejam significativamente mais baratas que as Full Frame mais em conta, em torno de 1.800 dólares.
APS-C
Grosso modo, as companhias competem em 3 faixas de preço: 500-700 dólares, 700-1.000 e acima de 1.000 dólares.

Na imagem acima eu não apresentei todas as opções disponíveis, mas um resumo bem atual dos modelos. Sinceramente, todas as opções são muito competentes e é difícil você fazer uma escolha errada, portanto aqui o preço pode tranquilamente ser um forte fator de decisão. A qualidade de imagem muda pouco entre os modelos, mas a performance tem saltos importantes. Por exemplo, a Canon 70D e a Nikon D7100 têm mais controles externos, melhor autofoco e maior velocidade de operação que as opções mais baratas, como a Canon 700D e a Nikon D5300, mas elas também são mais pesadas e complexas.

O que acontece entre as DSLR é o seguinte: Canon e Nikon, por dominarem o mercado, costumam manter os preços de seus produtos mais altos, enquanto Pentax e Sony fazem descontos agressivos para tentar aumentar sua participação. Ou seja, seus produtos costumam ser tão bons ou até melhores que os CaNikon e com preços mais baixos. Parece que a decisão de compra então é fácil, né? Não exatamente: a desvantagem dessas marcas é uma desvalorização excessiva dos seus produtos (exatamente porque o mercado de usados é muito pequeno), especialmente Pentax. É bem difícil vender um produto usado da Pentax no Brasil, eu sei disso por experiência própria. Além disso, os sistemas de Sony e Pentax são menos completos que Canon e Nikon, isso significa uma gama mais modesta de flashes e outros acessórios, menos opções de lentes fabricadas por terceiros etc.

Para mim, a escolha seria baseada no seu investimento em fotografia, em quanto você pretende complementar sua câmera com outras lentes e acessórios, se a fotografia provavelmente vai permanecer como um hobby de interesse moderado ou se você pretende estudar, fotografar muito ou até abrir um negócio. Na primeira opção, considero que Sony e Pentax apresentam um excelente custo x benefício, considerando que você não pretenderia trocar de equipamento por muitos anos e provavelmente teria apenas uma ou duas lentes. Na segunda opção, infelizmente eu não fugiria de Canon ou Nikon, pelo tamanho do mercado - com maior possibilidade de compra e venda de usados - e mais opções de acessórios. 

Uma última observação: a Sony tem um mercado bem maior que a Pentax, mas me parece que ela tem migrado seus investimentos para as mirrorless, cujo encaixe é diferente de suas DSLR. Considerando o sucesso da marca em cada categoria, minha opinião pessoal é de que esse é um caminho sem volta e que a Sony vai lentamente se afastar das DSLR, o que significaria cada vez menos opções de corpos e lentes para um futuro upgrade. Mas isso é só uma opinião...
Full Frame
Esse é o topo do mundo fotográfico* em qualidade e performance (e peso, e tamanho, e preço!!). Aqui estamos falando de câmeras muito completas e bem mais complexas que as DSLR de entrada, com ISOs absurdos (204.800?! Pra ter uma ideia do que é isso, se sua compacta fotografa até ISO 800, a Nikon D4 e Canon 1DX captam, a ISO 204.800, apenas 256 vezes mais luz! Basicamente elas fotografam no escuro), visores claros e amplos, profundidades de campo ultra pequenas e sensores de última geração, com resolução e dynamic range excelentes.
A regra de preço é semelhante às APS-C: todas as câmeras são absurdamente boas e mais do que suficientes para 99% dos usos. A Sony A99, Nikon D800 e Canon 5DIII se descolam das Full Frame de entrada com ganhos na qualidade de construção, velocidade de foco e resolução. E os dois tanques de guerra disfarçados de câmeras - Canon 1DX e Nikon D4 - trazem os ISOs absurdos, autofoco ainda melhor e muita durabilidade. São câmeras de baixo volume, voltadas apenas para profissionais com demandas específicas, como esportes, casamentos, fotojornalismo em áreas de conflito, entre outros.

Novamente, minha recomendação acaba ficando entre Canon e Nikon pelos mesmos motivos que citei há pouco. A Sony tem um produto excelente na A99, mas não tenho a mesma confiança na evolução do sistema, o que é uma pena. De qualquer forma, se você optar por uma câmera dessa categoria, é melhor saber exatamente o que está fazendo, porque são opções caras, com muitos comandos e que exigem um investimento considerável em lentes também, afinal de contas não faz nenhum sentido comprar um equipamento desse nível e colocar na frente uma lente que não consiga explorar toda a resolução e controle de profundidade de campo disponíveis. Ou seja, o investimento final que você vai fazer será o dobro, triplo ou mais do valor da câmera. Mas para quem é apaixonado por fotografia e tem clareza que as vantagens de uma full frame lhe atendem (por exemplo, alguém que goste de fotografar esportes ou animais como hobbista provavelmente será melhor servido por uma APS-C e seu maior alcance), vale a pena.

(*) Como havia dito antes, não estou incluindo médio e grande formato na comparação.